Metodologia

O valor da conclusão está no percurso que a sustenta.

Conheça a metodologia de estudo pericial do Dr. André Martins Dantas Santana: uma análise individualizada, com documentos contextualizados, fundamentos científicos e limites claramente apresentados.

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Um estudo orientado pela pergunta técnica.

Antes de examinar uma hipótese, é necessário definir o que precisa ser esclarecido, para qual finalidade e com quais elementos. A finalidade de um estudo de viabilidade é diferente da elaboração de um laudo pericial ou do acompanhamento como assistente técnico.

O percurso médico é organizado em nove etapas de raciocínio. A profundidade de cada uma, os procedimentos realizados e as limitações são informados conforme o objeto do trabalho. A atuação psicológica segue seus próprios métodos, atribuições e normas profissionais.

Do exame dos elementos à síntese

Explore as nove etapas do estudo médico.

Selecione uma etapa para entender a pergunta que ela procura responder e sua contribuição para a conclusão.

Etapa 1 de 9

Qual é a questão médica sustentada pelos elementos disponíveis?

São examinados registros clínicos, exames, relatórios e, quando cabíveis, anamnese e exame. Diagnóstico confirmado, hipótese diagnóstica e impressão clínica são tratados de forma distinta. A documentação é organizada com identificação de sua origem, data e relevância.

O que esta etapa esclarece

Uma base clínica contextualizada, com divergências e lacunas identificadas.

Organizar os registros permite conferir sua origem, sua sequência e sua relevância.

Rastreabilidade documental

Cada informação precisa ter lugar, origem e contexto.

Os documentos são identificados por tipo, data, autoria e localização no conjunto examinado. A leitura verifica legibilidade, integridade e pertinência, com atenção a registros contemporâneos e a eventuais contradições.

Não localizar uma informação em uma busca parcial não equivale a demonstrar que ela inexiste. Quando a fonte é insuficiente ou não pode ser lida integralmente, o limite é registrado, sem preenchimento por suposição.

Fato, inferência e interpretação: três níveis que precisam permanecer distintos.

Fato documentado

O que a fonte registra.

Informação identificável em documento, exame ou procedimento efetivamente realizado. O alcance do registro é preservado, inclusive quando ele contém um relato.

Inferência

O que pode ser deduzido.

Relação construída a partir dos elementos analisados. Sua fundamentação deve poder ser acompanhada, com indicação das premissas e das limitações.

Interpretação técnica

O sentido atribuído ao conjunto.

Integração dos achados à questão pericial, com critérios explícitos. A interpretação não transforma uma hipótese em fato comprovado.

A representação de múltiplos fatores ilustra o estudo de relações; a conclusão depende dos elementos de cada caso.

Nexo e concausa

Relações precisam ser examinadas, não presumidas.

O estudo de nexo procura esclarecer se há fundamentos para relacionar determinada condição a um evento ou exposição. Já a concausa examina a participação de fatores em um adoecimento multifatorial.

Na metodologia médica adotada para o estudo ocupacional, os critérios de Penteado organizam dez questões de nexo e sete de concausa. Cronologia, intensidade de exposição, condições prévias, coerência clínica e causas alternativas são examinadas em conjunto.

Quando a concausa é estabelecida e a gradação é pertinente, o referencial de Penteado e Saladini orienta a análise. O resultado é apresentado com as premissas, as limitações e a sensibilidade a informações relevantes.

02

Diagnóstico, capacidade e dano exigem respostas próprias.

Um diagnóstico, por si só, não descreve toda a funcionalidade. É necessário examinar suas repercussões em relação à atividade e ao contexto em discussão. Da mesma forma, a existência de incapacidade não resolve automaticamente a questão do nexo.

  • Capacidade: o que os elementos permitem concluir sobre o desempenho das atividades relevantes.
  • Limitação funcional: quais funções estão comprometidas e com qual repercussão documentada.
  • Dano: que repercussão pode ser descrita ou valorada, observados o objeto, os pressupostos e o instrumento aplicável.

A valoração não é uma estimativa livre. Referenciais específicos são utilizados apenas com fundamentação de sua pertinência e de seus limites.

Pesquisa e critérios

Referenciais técnicos com aplicação contextualizada.

Diretrizes e raciocínio médico-legal

O estudo médico considera diretrizes da ABMLPM, princípios de medicina baseada em evidências e referenciais de causalidade e repercussão funcional. Classificações e tabelas são recursos de organização e fundamentação, e não substitutos do raciocínio individualizado.

Literatura pertinente à pergunta

A consulta ao acervo técnico e à literatura científica procura contemplar evidências favoráveis, contrárias e limitantes. A existência e os dados das referências são conferidos; população e desfecho são considerados antes de aplicar um achado ao caso.

Entre os referenciais previstos na metodologia profissional estão Penteado, Penteado e Saladini, Schilling e instrumentos de repercussão laboral e dano corporal, quando pertinentes. O documento técnico identifica os critérios efetivamente discutidos e a razão de sua aplicação ou inaplicabilidade.

03

Uma conclusão que pode ser compreendida e conferida.

A revisão final confronta a síntese com a discussão, as fontes e os quesitos. O objetivo é evitar que uma mesma questão receba respostas incompatíveis em partes diferentes do documento.

Quando a base é insuficiente, isso deve integrar a resposta. Pode ser necessário delimitar a conclusão, indicar informação complementar ou registrar que determinado ponto permanece prejudicado. A clareza inclui expor o que o estudo permite afirmar e o que ele não permite resolver.

Converse com a equipe

Vamos entender a sua demanda.

Informe a finalidade do trabalho e a etapa do processo. A equipe orientará o pré-atendimento e o canal adequado para encaminhar a documentação.

O escopo é definido após a análise inicial, conforme a natureza médica ou psicológica da demanda.